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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020



SON(R)ORIDADE

Toca-me agora
Nobre musa das seis cordas,
Faz-me aguda como nota
Em teus braços debruçada,

Dedilha-me como queira,
Pois sou barro e tu madeira,
Do mesmo chão fui gerada

Temos curvas similares
No olhar do pervertido
Que jamais fizeram parte
Do nosso maior sustenido
Semelhanças que sustentam
Som quase despercebido

Tocamos a canção efêmera
No tom que pouco é ouvido
Mas meu instrumento é fêmea,
Vibra forte na frequência
Do grito mais reprimido


















terça-feira, 18 de agosto de 2015

E se em um encontro comigo mesma eu me desconhecesse? Minha vida tomou tantos rumos que no final de tudo eu já nem sei definir quem eu sou, ou o que sou... Tantas páginas foram viradas, ainda lembro do cheiro dos livros, lembro das primeiras letras que transformei em poesia, e daquela menina sem metas, que passava os dias a idolatrar a natureza até sentir-se parte dela. Aquela pobre menina se perdeu em mim, tornei-me profunda demais para que a pureza sobrevivesse, andei por lugares onde a poesia é apenas estética, silenciosa, fria e produto da razão.
Quando se atribui o pensamento racional aos versos eles deixam de ser poesia, assim como a vida sem emoção é um mero fruto do acaso.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Amor perdido

Em algum momento,
Conheci um pouco do que chamam de amor
Ele era puro, e recíproco 
Não trazia preocupações, nem dor
Simplesmente porque era amor

Daqueles que preenchem 
Que parecem ser para sempre
E, em intensidade,
São eternos

Eu o conheci, e fui embora
Sem razão
Apenas por ser incapaz de enxergar além de mim
Por ser imaturo a ponto de alegar maturidade
E por não saber conter minha própria ansiedade

Ele me observou partir
Fui para longe, e o perdi de vista
Fui para tão longe... que me perdi de mim.




quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Adolescência



Tenho palpites errados sobre quem eu sou
E carrego mil dúvidas sobre quem me cerca
Me sinto inseguro, do mundo um alvo
Duvido e questiono, quando estou a salvo

Não sou notável
Nem tenho experiências
Mas sou protagonista
Da minhas própria existência

Sou o futuro a bordo de um navio
Sou o fruto que um dia foi flor
Sou o tempo solto no espaço
E sou feito de amor.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Meus traços

Hoje acordei incerta
Não reconheci em mim
Traços que comigo nasceram
E descobri em meus traços
Os braços que me tiveram

Nas linhas que meus lábios contornam
Milhares de exclamações
E em mim a questão:
Se fui, se sou, se serei
Passado, presente, futuro
O que escolherei?

O poeta


Mergulhado em um rio de versos
Nada vestido de amor
Da poesia é a fonte
Do poema, criador


No mais escuro deserto
Ele encontra a luz
De um canto sem encanto
Uma obra ele produz.